Durante os três dias, a ligação de Albufeira ao mar esteve no centro da festa. No museu instalado na praia, os artefactos da pesca tradicional ajudaram a dar a conhecer os instrumentos e as práticas do ofício. A exposição de embarcações incluiu um barco construído na década de 1950, enquanto as fotografias de Artur Pastor acrescentaram uma dimensão documental à evocação do passado.
A memória ganhou também voz através dos pescadores mais antigos, que partilharam as suas histórias de vida na pesca. A reparação das redes permitiu observar de perto um saber transmitido entre gerações e recordar o trabalho que, durante décadas, marcou o quotidiano daquela praia.
Na noite de abertura, a apresentação de um vídeo com entrevistas a pescadores e imagens da atividade piscatória deu o mote à intervenção do presidente da Câmara Municipal de Albufeira, Rui Cristina. “Estas imagens que acabámos de ver são imagens de quem nós somos, de onde é que nós viemos, de onde vem a alma albufeirense que nunca deve ser esquecida”, afirmou.
O autarca explicou que esta edição procurou devolver à festa a ligação às suas origens, com particular destaque para a recriação da chegada das embarcações. Sublinhou ainda que o desenvolvimento turístico não deve afastar Albufeira da sua história: “Temos que estar orgulhosos do nosso passado, temos que ser conscientes do presente e muito ambiciosos no nosso futuro”.
O presidente reconheceu publicamente os fundadores da Associação de Profissionais de Pesca de Albufeira (APPA) e o fundador do Rancho Folclórico de Albufeira, ligado à origem do Festival de Folclore.
Na manhã de sábado, dia 5, as traineiras regressaram à Praia dos Pescadores para a recriação da chegada dos barcos e da descarga do peixe. O momento recuperou uma cena que fez parte da vida local, quando o regresso das embarcações era aguardado pelas famílias no areal.
Durante as tardes de sábado e domingo, os jogos tradicionais convidaram à participação do público. A malha, o pião, as corridas de sacos e os jogos do cântaro, dos balões e da lata trouxeram à festa outras formas de encontro entre gerações. Na noite de sábado, o Festival de Folclore deu continuidade à celebração dos costumes populares.
A música e as danças tradicionais animaram os três dias de festa, com o 28.º Festival de Folclore de Albufeira e as atuações de Emanuel e Tânia, Marotos da Concertina, Rui e Miguel e Duo 64. O encerramento coube a José Cid, que subiu ao palco da Praça dos Pescadores na noite de domingo.
Ao recuperar a chegada dos barcos, os saberes da pesca e as histórias de quem viveu do mar, esta edição devolveu às Festas do Pescador a alma albufeirense e aproximou as novas gerações das raízes da sua terra.


