ACTA – Peça de teatro OLEANNA

Peça de teatro OLEANNA

M/14 €7,00

BILHETES: PLATAFORMA BOL, Galeria Municipal João Bailote (dias úteis das 9h30 às 12h30; 13h30 às 17h00) e no dia e local do espetáculo (19h30 às 20h45)

Oleanna remete para uma utopia: o nome de uma colónia na Pennsylvania onde a vida humana não conseguiu fixar-se, travada pela densidade da floresta.

Também aqui nada é simples. A cada palavra, o conflito adensa-se. A cada silêncio, toque do telefone, a dúvida cresce.

Uma aluna encontra-se com o seu professor no gabinete deste, três vezes. Primeiro para discutir a nota de uma disciplina na qual tem vindo a ter dificuldades (cuja bibliografia conta com um livro da autoria do próprio professor). Depois, num segundo momento, para falar acerca de uma suposta situação de assédio que terá tido lugar no primeiro encontro.

E mais tarde, para apresentar as exigências de um grupo de alunos que sustentam a acusação.

Entre as duas personagens estabelece-se um ambiente que nos é familiar, um lugar onde a verdade é relativa e onde o espaço ocupado pela dúvida deixa pouco espaço para certezas. Num jogo de poder assente nas esferas do público e do privado, chegamos a sentir que (tal como hoje em demasiadas circunstâncias) mesmo estando presentes, podemos não conseguir distinguir o que é verdade e o que não é. Segundo o próprio autor “seja qual for a conclusão a que chegue, está errada.”

Uma peça do Dramaturgo David Mamet, com interpretação de Luís Vicente e Tânia Silva.


“Oleanna é um texto muito, muito complexo. Desde logo pela simbologia que o título comporta. Os pressupostos que determinam a sua leitura levaram a que o autor tivesse afirmado: “Seja qual for a conclusão a que você chegue, está errada!”.

Do meu ponto de vista, este texto, datado de 1992, não recomenda hoje uma abordagem de tipo realista para a que a sua construção remete - e assim, em regra, tem sido abordado em todo o mundo.

As características do mundo em que hoje nos movemos, com as suas diversas complexidades, recomenda, segundo entendo, uma abordagem estética e artística de outro tipo, mais simbólica. À medida que o fui lendo, analisando e interiorizando dei-me conta da existência de uma terceira “personagem”: o telefone. Tanto quanto julgo saber, foi o encenador Ricardo Pais quem a introduziu na sua encenação de Oleanna, em 2019. Quero acreditar que no conjunto e diversidade de múltiplas influências, este nosso espetáculo resulta mais enriquecido pelas anteriores versões que dele tive notícia.”

Luís Vicente / Encenador

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