ALBUFEIRA DISCUTIU O VOLUNTARIADO JOVEM DURANTE DOIS DIAS

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Durante dois dias, 22 e 23 de novembro, Albufeira acolheu o IV Encontro Intermunicipal de Voluntariado, uma iniciativa organizada em parceria pela Confederação Portuguesa do Voluntariado e os municípios de Albufeira, Lisboa e Torres Vedras, focada na Juventude e no potencial transformador que esta tem na sociedade. O evento, que contou com a intervenção de diversos especialistas na área do Voluntariado, encheu o Salão Nobre dos Paços do Concelho de muitos jovens que responderam positivamente ao convite da Autarquia.

 “Jovens Voluntários: Cidadania Ativa com Futuro?” foi o tema eleito para esta edição que, à semelhança dos anos anteriores, visou contribuir para a reflexão em torno do papel dos Bancos Locais de Voluntariado, permitir a troca de experiências e boas práticas e partilhar algumas das preocupações e dificuldades que estas estruturas enfrentam no dia-a-dia para desenvolver o seu trabalho e identificar possíveis soluções.   

Durante a sua intervenção, Ana Pífaro, vice-presidente da Câmara Municipal de Albufeira destacou que foi no atual mandato que o Município decidiu criar o pelouro da Cidadania e Orçamento Participativo, precisamente por considerar que “é fundamental colocar os cidadãos a participar na vida ativa do concelho, ressalvando que no âmbito da cidadania o Voluntariado desempenha um papel fundamental”.

Para facilitar o processo, a Autarquia criou o projeto “Albufeira Voluntária”, que funciona como o local de encontro das instituições do concelho que necessitam de acolher voluntários e os interessados em prestar serviço de voluntariado. O projeto, que funciona desde 2009, conta atualmente com 85 voluntários inscritos, na sua maioria pessoas em idade adulta, alguns dos quais já na fase sénior da vida, refere Ana Pífaro que revelou que “em Albufeira tem havido muita dificuldade em cativar os jovens para o Voluntariado, à exceção do episódio das cheias de 2015 em que muitos jovens participaram ativamente na ajuda às vítimas e na recuperação das zonas mais afetadas pela intempérie; no entanto não houve a capacidade para continuar a motivá-los para a prática do voluntariado”, frisou. Por isso, quando, juntamente como os nossos parceiros, tivemos que decidir o tema do Encontro considerámos que o Voluntariado Jovem seria uma temática bastante oportuna, disse, acrescentando “Albufeira é um Município com uma população jovem, por isso tenho grande expectativa em sair deste Encontro com uma ideia mais clara acerca das nossas dificuldades e o que é necessário fazer para melhorar”.  

O presidente da Câmara Municipal de Albufeira mostrou-se muito satisfeito pela sala estar repleta de jovens, tendo referido que normalmente quando se fala em voluntariado associa-se sempre a situações de carência social e económica ou a catástrofes em que é urgente prestar ajuda a quem mais precisa. “Esta é uma vertente fundamental e bastante gratificante, mas não é a única”, disse, sublinhando que “é muito importante envolver os jovens nas associações de estudantes, nos clubes desportivos e nas associações culturais, uma forma interessante de os motivar para a prática do voluntariado”. José Carlos Rolo reiterou que Albufeira é uma cidade com um movimento associativo muito forte, estando reunidas as condições para aproveitar esta excelente oportunidade. O autarca aproveitou também para lançar o repto ao governo para que dê mais incentivos ao voluntariado.

Inês Soares, que esteve no Encontro em representação do vereador da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Grilo, recordou que o evento surgiu em 2015, quando Lisboa foi eleita “Capital Europeia do Voluntariado”, como um desafio interno do Município que acabou por ter uma enorme capacidade mobilizadora ao nível da sociedade civil para a prática do voluntariado. A responsável apresentou um balanço bastante positivo das edições anteriores, tendo desafiado os municípios presentes a acolherem a 5ª edição.

Ana Umbelino, vereadora da Câmara Municipal de Torres Vedras, referiu que “o voluntariado transporta sempre um desejo de mudança, contribuindo para que todos possam viver melhor, pelo que temos que criar as condições, os mecanismos e os instrumentos para que nos diferentes territórios os jovens possam participar civicamente na mudança das suas comunidades por via do voluntariado”.

Eugénio Fonseca, presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado, que já em Maio de 2017 tinha estado presente no I Encontro de Voluntariado de Albufeira, destacou a vivacidade dos participantes e disse estar muito satisfeito com as intervenções dos jovens que qualificou de “muito pertinentes e bem colocadas”. Este tipo de iniciativas visa essencialmente ser incentivadoras do voluntariado, disse, referindo que em vez das conclusões do Encontro iria optar por apresentar alguns pontos fundamentais para melhor se poder entender a problemática do voluntariado. Entre as várias questões apontadas sublinhou “é normal ouvir dizer que temos que preparar o futuro, mas os jovens não são o futuro - eles já são o presente e têm que fazer parte da solução dos problemas que o mundo atravessa”. Eugénio Fonseca recordou que o mundo está difícil, mas que não é a primeira vez que isto acontece “os contornos e as exigências é que são diferentes agora”, pelo que é fundamental perceber os desafios e as oportunidades suscitados pelos períodos de crise”. Nesta sequência há dois aspetos essenciais a destacar “somos cidadãos e estamos aqui para deixar uma marca, mas agora somos cidadãos do mundo, podemos ir ao encontro de novas culturas, enfrentar novos desafios e oportunidades”. Por outro lado, “em termos profissionais hoje em dia nem sempre conseguimos fazer aquilo que queremos e o voluntariado dá-nos a possibilidade de fazer aquilo que queremos e que gostamos mais”, concluiu.

Ana Pífaro terminou a sua intervenção deixando um desafio aos jovens: “digam o que pretendem que a Autarquia faça por vós e o que esperam e estão disponíveis para fazer pela cidade em que vivem”.  

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Data de Publicação: 

26/11/2018